marginal notes while filming

casa_das_fases

jim kleist - casa das fases: dodó ou zé nietzsche

matéria na folha de londrina sobre o filme haruo ohara (pausa para a neblina). ótimo texto da adriana ito. apenas duas correções: o nome do ator protagonista é marco hisatomi, e haruo ohara nasceu a 5 de novembro de 1909.

parte 1
http://www.bonde.com.br/folha/folha.php?id_folha=2-1--9-20090701
parte 2
http://www.bonde.com.br/folha/folha.php?id_folha=2-1--10-20090701

a foto acima é da dodó (ou do zé nietzsche) na casa das fases!
(thanx rick, fabrício e elaine)

Publicado em 01 de julho de 2009 às 12:05 por grota

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Marco Hisatomi irá interpretar Haruo Ohara

marco hisatomi como haruo ohara - foto: amanda coelho (kinoarte)
marco hisatomi como haruo ohara - foto amanda coelho (kinoarte)

Marco Hisatomi irá interpretar Haruo Ohara
Nova produção da Kinoarte começa a ser rodada no dia 5 de julho

O filme “Haruo Ohara (Pausa para a Neblina)”, produção da Kinoarte com patrocínio do Ministério da Cultura, já conta com um protagonista: o professor Marco Hisatomi, de 43 anos. Ele irá interpretar o principal personagem do curta-metragem: o imigrante, agricultor e fotógrafo Haruo Ohara (1909-1999), responsável por uma obra que compreende cerca de 20 mil fotografias de Londrina produzida ao longo de mais de 50 anos. “Haruo Ohara é certamente o maior artista visual da história de Londrina. Para a Kinoarte é uma honra produzir um filme que dialoga com a sua linguagem”, afirma o diretor e roteirista do curta, Rodrigo Grota.

Terceiro episódio da “Trilogia do Esquecimento” (série iniciada pelos filmes “Satori Uso” e “Booker Pittman”), “Haruo Ohara (Pausa para a Neblina)” será rodado em Londrina e região de 5 a 12 de julho de 2009, incluindo em seu elenco seis dos nove filhos de Haruo Ohara: Tomoko, Hirak, Toyoko, Rosa, Ciro e Maria. O filme será ambientado no ano de 1950, incluindo cenas dos tempos em que a família vivia na Chácara Arara (hoje Jardim Santos Dumont). Para o produtor do filme, Bruno Gehring, contar com apoio da família está sendo essencial: “Inicialmente o Saulo Haruo Ohara, neto do Haruo, nos apresentou uma seleção das fotos e muitos dos objetos pessoais do Haruo, antes da doação ao Instituto Moreira Salles. Mais recentemente, em contato com outros familiares, tivemos acesso a muito material que ainda não foi publicado, e a histórias que ajudaram a compor a linguagem do filme. O curta, no entanto, não é sobre a vida de Haruo, e sim, sobre a sua obra”.

O filme “Haruo Ohara (Pausa para a Neblina)” é uma realização da Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina) com patrocínio do Ministério da Cultura – Secretaria do Audiovisual, apoio do Instituto Moreira Salles e família Ohara, e apoio cultural da Itamaraty, Happen Pizza, Restaurante do Toninho, Restaurante Frigideira, bar Meninas dos Olhos, jornal Paraná Shimbun, Kinopus Audiovisual e Revista Taturana. Mais informações pelo telefone (43) 3026 6932 (Espaço Kinoarte) ou pelo endereço eletrônico kinoarte@gmail.com.

Publicado em 24 de junho de 2009 às 12:20 por grota

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KINOARTE abre inscrições para a 2ª MOSTRA MARÍLIA DE CINEMA

sirlei batista

Estão abertas até o dia 31 de julho as inscrições para a 2ª MOSTRA MARÍLIA DE CINEMA, festival que será realizado no Oeste Paulista de 1ª a 4 de outubro de 2009. O objetivo do festival é resgatar o clima que havia em Marília nos anos 60, quando a cidade chegou a sediar três festivais nacionais: 1960, 1967 e 1969. Esses festivais foram realizados pelo Clube de Cinema de Marília, instituição criada em 1952 e que mantém suas atividades até hoje. Os interessados em se inscrever devem solicitar uma ficha de inscrição no e-mail kinoarte@gmail.com. Serão aceitos filmes realizados a partir de janeiro de 2007, em qualquer suporte, com duração de até 24min59s. O regulamento completo e mais informações sobre a Mostra estão no site http://mostramarilia.blogspot.com/. A 2ª MOSTRA MARÍLIA DE CINEMA é uma realização da KINOARTE, em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo de Marília, apoio institucional do Clube de Cinema de Marília, revista TATURANA e Kinopus Audiovisual. A coordenação é dos cineastas Bruno Gehring e Rodrigo Grota. Mais informações no site: http://mostramarilia.blogspot.com/ ou no ESPAÇO KINOARTE - telefone (43) 3026 6932.

Publicado em 18 de maio de 2009 às 17:13 por grota

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SATORI USO é eleito melhor curta de ficção no Arraial Cine Fest 2009

anderson craveiro nos bastidores do filme booker pittman - foto: guilherme gerais

O curta londrinense SATORI USO, uma realização da KINOARTE com patrocínio da Prefeitura de Londrina, foi eleito o Melhor Filme de Ficção, de curta duração, no 3º Arraial Cine Fest, festival realizado nas cidades de Arraial D’Ajuda e Porto Seguro, na Bahia, entre 4 e 17 de abril de 2009. SATORI USO, inspirado na obra de Rodrigo Garcia Lopes, é um falso documentário sobre um poeta que não existiu, apresentado por um cineasta imaginário. O filme integra o projeto Curta Petrobras às Seis, estando em cartaz atualmente no Cinemark Midway Mall Natal, em Natal (RN), até o próximo dia 19. SATORI USO já recebeu os prêmios de Melhor Filme (Crítica), Melhor Fotografia (Júri Oficial) e de Aquisição do Canal Brasil no 35º Festival de Cinema de Gramado, Melhor Filme e Melhor Fotografia no FAM 2008; Melhor Filme no 15º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, Melhor Fotografia (Júri Popular) no 5º Festival de Cinema de Maringá, Melhor Fotografia (júri oficial) no Festival Primeiro Plano 2008, Melhor Direção de Arte (para José de Aguiar) no 7º Santa Maria Vídeo e Cinema, Prêmio ABC de Melhor Fotografia para Curta-Metragem, Melhor Roteiro no 6º Curta Santos, além de Menção Honrosa no 14th International Short Film Festival in Drama, na Grécia, no Curta Cinema 2007 – Festival Internacional de Curtas Metragens do Rio de Janeiro e na IV Mostra Curta Pará Cine Brasil. Comercializado com o Canal Brasl (com exibições entre agosto de 2008 e julho de 2010), SATORI USO também foi exibido pelo programa Zoom da TV Cultura (SP), e está disponível em DVD pelo projeto Programadora Brasil, do Minc. Mais informações pelo e-mail: kinoarte@gmail.com

Publicado em 15 de maio de 2009 às 12:33 por grota

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BOOKER PITTMAN vence prêmio ABC de fotografia para curta-metragem

carlos ebert, diretor de fotografia do curta booker pittman, em meio às filmagens

O filme londrinense BOOKER PITTMAN, uma realização da KINOARTE com patrocínio da Prefeitura de Londrina, recebeu na última sexta (8 de maio de 2009) o Prêmio ABC de Melhor Fotografia para Curta-Metragem. O prêmio, atribuído pela Associação Brasileira de Cinematografia, destaca o trabalho do diretor de fotografia Carlos Ebert, e de todos os integrantes de sua equipe: Anderson Craveiro (1º assistente), Cícero Barbosa (eletricista), Danilo Miranda, Felipe Augusto, Guilherme Baracat e Guilherme Gerais. Ebert já havia recebido o Prêmio ABC de Melhor Fotografia para Curta em 2008, pelo filme SATORI USO, outra realização da KINOARTE.

Rodado integralmente em preto-e-branco e em suporte digital (Sony HDV Z1 50i) entre 7 e 11 de agosto de 2007 em Londrina (PR), BOOKER PITTMAN contou com apoio cultural da Quanta e da Teleimage. O filme é inspirado na passagem do jazzman americano Booker Pittman (1909-1969) pela Londrina dos anos 50.

Em sua estréia, a 14 de agosto de 2008, BOOKER PITTMAN recebeu cinco prêmios no 36º Festival de Cinema de Gramado: Melhor Filme (Prêmio da Crítica), Prêmio Especial do Júri, Prêmio Aquisição do Canal Brasil, Melhor Direção de Arte (para José de Aguiar) e Melhor Música (para Booker Pittman). Posteriormente o filme londrinense também recebeu o Troféu ABD no 19º Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo; o Troféu Curta-Light de Melhor Trilha Musical no 2º Festival Cine Música, em Conservatória, no Rio de Janeiro (RJ), além de prêmio de Melhor Filme (Júri Popular) no 5º Festival Cinema de Arte de Salvador (BA).

BOOKER PITTMAN também foi exibido no II Latino Fiesta, em Moscou (RUS), no CineBrasil at Brown, na Brown University (EUA), no 8º Festival Brasil NoAr, em Barcelona (ESP), no 9º Festival do Rio (RJ), na 12ª Mostra de Cinema de Tiradentes (MG), na 10ª Mostra Londrina de Cinema (PR), na 1ª Mostra Marília de Cinema (SP), na 1ª Janela Internacional do Cinema do Recife (PE), no 3º Festival Audiovisual da Lapa (PR), e na programação do cineclube do SESC Piracicaba (SP) e da Ufscar (SP), e na Unisa (SP).

BOOKER PITTMAN, uma realização da KINOARTE (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina) em co-produção com a KINOPUS Audiovisual, conta com direção e montagem de Rodrigo Grota, produção de Bruno Gehring e Argel Medeiros, roteiro de Artur Ianckievicz e Grota, direção de fotografia e câmera de Carlos Ebert (ABC), direção de arte e cenário de José de Aguiar, assistência de fotografia e 2ª câmera de Anderson Craveiro, figurinos de Nélio Pinheiro, maquiagem de Lilian Manganaro, still de Bernardo Sardi & Guilherme Gerais, e elenco principal composto por Edson Montenegro e Cléo De Páris. BOOKER PITTMAN integra uma trilogia sobre os anos 50 em Londrina, série iniciada com o curta-metragem SATORI USO e que será encerrada nesse ano com o filme HARUO OHARA.

Mais informações sobre o filme BOOKER PITTMAN: kinoarte@gmail.com
Mais informações sobre a premiação da ABC em 2009: http://www.abcine.org.br/site/

Publicado em 11 de maio de 2009 às 11:29 por grota

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jan svankmajer



O projeto KINOARTE MOSTRA CURTAS dessa terça (5 de maio de 2009) exibe uma série de filmes do prestigiado animador tcheco Jan Svankmajer, a partir das 21h30, com entrada franca, no Bar Valentino, em Londrina (PR). Nascido em Praga, em 1934, Svankmajer é mais conhecido pela mistura de linguagens que imprime em seu trabalho, aliando técnicas de 3D, stop-motion, teatro de bonecos e live-action. De linhagem surrealista, o animador já dirigiu mais de 30 filmes entre curtas e longas desde os anos 60, exercendo forte influência em diretores como Tim Burton e Terry Gilliam. Seus trabalhos mais conhecidos incluem os filmes "Alice" (1988), "Fausto" "(1994), o curta "Dimensions of Dialogue" (1982), e "Lunacy" (2005), uma comédia surreal baseada em escritos de Edgar Allan Poe e na vida do Marquês de Sade. Banido pelas autoridades comunistas nos anos 70, o animador só teve sua trajetória reconhecida no Ocidente no começo dos anos 80. Seus filmes, além de apresentar uma abordagem surrealista, contêm sons e trilha exageradas, além de efeitos estranhos em cenas relacionadas ao ato de comer. Ainda trabalhando (ele está na pré-produção do filme "Surviving Life (Theory and Practice)"), Svankmajer é reconhecido como um dos grandes da animação no século 20.

O projeto KINOARTE MOSTRA CURTAS é uma realização da KINOARTE (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina), com apoio cultural do Bar Valentino. A curadoria do projeto é dos cineastas Bruno Gehring e Rodrigo Grota.

Publicado em 04 de maio de 2009 às 11:37 por grota

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satori in sp

bastidores do filme booker pittman - still: guilherme gerais

SATORI USO em 35mm São Paulo
De 27/03/09 a 21/04/09
Unibanco Arteplex - Curta Petrobras às Seis
Todos os dias, com entrada franca, às 18h
Serão exibidos também os curtas EISENSTEIN, ACOSSADA e TARANTINO'S MIND

Publicado em 14 de abril de 2009 às 20:13 por grota

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a vontade superstar, bruno morais, 2009

capa do cd a vontade superstar, de bruno morais (2009)

Release_ Bruno Morais - A Vontade Superstar
(YB, São Paulo, 2009)
Por Romulo Fróes

Ao colocarmos o disco pra tocar, somos recebidos por um som de tear que tece uma trama desconhecida. Em descobrir quais fios compõem essa trama e quais os sons formam sua trilha é que consiste o prazer de ouvir o novo disco de Bruno Morais, A Vontade Superstar.

O primeiro fio a ser reconhecido é seu canto. Bruno é antes de mais nada um excelente cantor, cada vez mais raros em nossa música. Se por um lado ele aprendeu direito as lições da Bossa Nova, especialmente no que se refere ao volume de sua voz, sua interpretação muitas vezes não controla o que parece transbordar em sua música: uma verdade e uma emoção que extrapola sua voz contida. É dessa aparente contradição, entre uma voz pequena, mansa, colocada e um sentimentalismo um tanto exagerado, que nasce a beleza de seu canto. Bruno puxa do fundo de seus pulmões todo o ar que precisa para cantar o que seu coração grita, mas controla sua emissão, pois parece acreditar falar mais alto falando baixinho, ao ouvido, confortando a quem o ouve. “Não vamos chorar, não vamos olhar pra trás e não vamos fugir”, proclama em Hino dos corações partidos (Bruno Morais/Tomás Meireles/José Ricardo Passetti), faixa que abre o disco, uma pequena e delicada carta de intenções endereçada àqueles que queiram acompanhá-lo em sua viagem musical.

O disco segue seu bordado e outro fio a compor seu tecido sonoro é o próprio som. Gravado em épocas e estúdios diferentes, o disco conta com um número impressionante de participações, algo próximo de 40 pessoas entre músicos e técnicos. Organizar e dar um caráter a essa avalanche musical de origens muito diversas é o grande mérito da produção comandada por Guilherme Kastrup e Bruno Morais. A sonoridade do disco reflete muito o modo como Bruno se relaciona com a música e o seu desejo de agregar referências e personalidades musicais diferentes.Isso fica claro já na segunda faixa do disco, A vontade (Bruno Morais/Ivana Debértolis), ao lindo arranjo de sopro composto por Tony Chang, do coletivo neozelandes Fat Freddy's Drop, Bruno contrapõe o não menos belo solo de trombone do brasileiro Bocato. A matriz jazz encontra acentos diferentes no som de cada um e nesta junção de sotaques reside a força da canção.

Um exemplo ainda mais radical de um certo enfrentamento entre universos musicais distintos acontece em O mundo é assim, a obra prima de Alvaiade. A batida triste do samba do mestre portelense é transposta para as bandas marciais de New Orleans e seu ritmo marcante traduzido nos beats eletrônicos de Vitamin D, produtor que já trabalhou entre outros, com 50 cent, Jurassic Five e Blackalicious. A tragédia do samba é atravessada por uma sensualidade e uma ironia na voz de Bruno que canta qual um crooner de cabaré, acompanhado não pelo coro abrutalhado das pastoras do samba, mas de harmonias vocais típicas das cantoras de soul. Bruno ainda flerta com a música eletrônica, mas desta vez ela toma caminhos diferentes de seu disco de estréia Volume zero(2005). Se naquele podemos dizer que era mesmo seu assunto principal, em A vontade Superstar ela está à serviço da canção, sendo mais um instrumento do arranjo, produzindo camadas de som que enriquecem o conjunto de cada faixa. Um bom exemplo disso é Planos (Bruno Morais/Marcela Biasi), em que XXXChange, produtor, Dj e um dos fundadores do grupo de electro-rap Spank Rock, que também trabalhou para artistas como, Beck,Thom Yorke e Justin Timberlake, comanda os teclados e programações como mais um músico da banda e o faz de maneira intensa, conferindo à faixa um clima quente, um ar de sedução e altas doses de romantismo, diferente de uma certa frieza comum à música eletrônica.

O grande som do disco, como já disse, está à serviço da canção, e ela à serviço da vontade de Bruno, essa vontade estampada no título e que assume voz própria nos conduzindo pelos destinos do disco, lugares que não conhecemos mas que sua descrição nos aproxima e nos faz querer conhecer. “Você não sabe quanta coisa eu trouxe de lá, de onde você nunca vai estar, um anel de mares, uma multidão de flores e uma estória nova pra você contar” é a Boa Nova (Rafael Fuca/Bruno Morais) que nos conta e é dessa esperança que se impregna seu disco, dessa confiança em dias melhores, ainda que se envelheça a cada dia e cada mês, voltando ao samba de Alvaiade. Essa boa nova, essa esperança, parece ter origem em uma crença quase espiritual, de uma espiritualidade sem religião, nas pessoas e nas forças do bem. Bruno constrói seu escudo à prova de más vibrações. Em Do Inferno 2 (Bruno Morais) alerta: “você, provavelmente, deve ter vindo do inferno pra me atazanar, você vai ver, gente assim não vai pra frente, estaciona, não sai do lugar”, ao mesmo tempo em que cita a melodia de Se Deus Me Ouvisse, sucesso de Almir Rogério nas vozes de Chitãozinho e Xororó. Se por um lado mostra intimidade com o cancionero mais popular, demonstra também seu conhecimento com o mundo do samba mais trágico, do samba mais triste, com uma original interpretação de Pode Sorrir, dos grandes Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Na versão de Nelson, ainda que o sujeito da canção diga saber quando uma mulher quer abandonar o lar e que por isso não lhe causa surpresa quando ela o faz, no fundo, pede, implora pra que ela não o faça passar por essa humilhação. Bruno inverte o sentimento da canção e parece mesmo estar feliz com sua partida, carrega em sua voz uma certa arrogância e escracho num canto bêbado em comemoração de sua liberdade. O samba como autoria também aparece no disco em Hoje Eu Vou Te Acordar (Romulo Fróes/Bruno Morais), sobre uma melodia triste, Bruno escreve mais uma vez sobre um mundo idealizado, possível em seus sonhos,“matei um amigo, pra te acordar, lancei aviões no céu, escrevi o teu nome no ar”.

Há em quase todas as faixas do disco um tipo de ordem, de comando, o sujeito da canção exala sabedoria, tenta organizar a vida a seu modo e segue apresentando seus argumentos a quem queira ouví-lo,“eu que não sei o que digo, acordei tão sabido, querendo falar”,“você vai ver, gente assim não vai pra frente”,“não pense meu amor, não há tempo, não há o que pensar”,“abra os olhos, reconheça”,“pode sorrir pra quem você quiser”. Antes de ser autoritária, é uma voz firme, quase paterna. Nasce da música de Bruno Morais essa voz, que lança sua crença para esta paisagem distante, para o mundo idealizado da canção. Ao nos apresentar esse outro mundo, da nova música brasileira, A Vontade Superstar nos faz crer que dias melhores virão. Na verdade já chegaram.

link para download:
http://rapidshare.com/files/217413745/UQT2009_Bruno_Morais_-_A_Vontade_Superstar.rar

Publicado em 14 de abril de 2009 às 19:55 por grota

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