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[holics]
_what ever happened
http://www.youtube.com/watch?v=Jv_NXJVcTWs
_trying your luck
http://www.youtube.com/watch?v=qLwGsjfbEsg
_soma
http://www.youtube.com/watch?v=ix5uagrgVFM
new.York/City(Cops":strokes]
_na versão do holics.
londrina café stadium goal forty one forty one soccer players sunday sunny hot and clear.
yap. here!
jkhgjhgjh/////
more here.
em dezembro do ano passado, me encontrei com o batone em marília para a gravação de algumas músicas. o princípio era simples: gravar tudo em um só take, sem cortes, câmera na mão e a luz que tiver no local.
bem, o batone, a gabi, o dj rodman e eu passamos uma madrugada muito agradável em uma pequena praça deserta em marília. foi algo entre meia-noite e quatro da matina. alguns sons paralelos - nada mais.
o resultado desse encontro pode ser visto em diversos takes no canal da kinoarte no youtube:
tudo te é falso e inútil
acidente na rua prof. azevedo marques
acrobatas epiléticos
noturno
*título provisório
*inédita
aos poloneses do brasil
assombroso, divino
(para gabi)
*sem título
*inédita
tarzan moderno
making of batone sessions
a maior parte dessas músicas pode ser ouvida de forma gratuita no site lixo extraordinário.
(thanks gabi y rodolfo arruda leite de barros, o mestre)
o rafael urban registrou o improvável - sim, existe carnaval em curitiba e ele até que rende boas fotos - como esta acima, com a atriz ana gui (do teatro oficina, de são paulo) ao lado de seu filho.
o rafael aliás também escreve muito bem - em novembro do ano passado, ele me presenteou com os originais de um livro que prepara sobre o recente cinema argentino.
as fotos do rafael e dos demais participantes desta experiência inusitada na capital estão aqui.
após dois anos e meio, finalmente, o making of do nosso primeiro filme de ficção: o quinto postulado. é incrível rever como éramos bem mais novos e como estávamos todos reunidos: bruno, peraro, denis, mari, ju, zé nietzsche, william, caio, vick, marcela, guto, etc...
a música (do the killers) é a que mais ouvíamos durante as filmagens.
acaba sendo, por isso, uma espécie de making of afetivo.
acima, mais uma foto ótima do guilherme gerais no cenário do cabaret de "booker pittman", o filme..
mais uma foto dos bastidores do booker pittman...
dessa vez uma ótima foto do guilherme gerais, que trabalhou na equipe de fotografia e making of..
aliás, quase todas as fotos do guilherme ficaram ótimas... um olhar extremamente atento a vários detalhes do filme..
já havíamos publicado uma foto dele relativa ao primeiro dia das filmagens, na contra da taturana.
a cena acima se passa na nova york dos anos 60... um estúdio de jazz no qual booker encontra músicos do seu tempo de kansas city..
à esquerda, de costas, edson montenegro como booker pittman...
ao seu lado, o pianista de jazz mário loureiro (uma homenagem a bill evans)..
em seguida, um cara muito boa praça que fez o baixista (nosso ron carter)!
no reflexo, o temido e profano produtor de jazz joseph goldstein - também conhecido como zé nietzsche ou simplesmente josé alves de lima aguiar...
dentro da cabine, o mestre eugênio (ex-"sebo do carlinhos" e atualmente no "capricho") equaliza o som..
com o rosto entrecortado, o grande rogério azevedo palma - nosso gerry mulligan!
e na câmera, nada menos que carlos alberto de azambuja ebert... nosso fotógrafo!
artur ianckievicz, o melhor assistente do mundo, tem agora um blog:
in the mood for cinema
apaixonado por cinema, stones e pelo londrina esporte clube, o cara manda bem no texto. acima, o próprio nos bastidores de "booker pittman", filme do qual é co-roteirista e 1o assistente de direção.
"um artista nuca deve ser: prisioneiro de si mesmo, prisioneiro de um estilo, prisioneiro de uma reputação, prisioneiro de um sucesso etc. não escreveram os goncourt que os artistas japoneses da grande época mudavam de nome várias vezes ao longo da vida? isso me agrada: eles queriam preservar a liberdade" henri matisse
gershwin, café e matisse.
"tango, chuva e silêncio" ganhará uma espécie de trailer, estudo, anotação.
jazz, herzog e nada exceto o meu quarto.
o imperador está na cidade.
starbucks a poucas quadras.
coen, savides e van sant.
o escritor, músico de jazz, ensaísta, filósofo e dj rodolfo arruda leite de barros escreve no quarto ao lado. josé nietzsche compõe uma ópera no corredor.
"rien de rien".
há muito não estava tão pleno.
Why did you adapt Blake Nelson's novel?
It was a story set in Portland, which I always like, it was about an amateur skateboarder, and this was also interesting. It was also about a particularly stifling predicament, which was also an interesting thing in the story.
Did you change the structure of the narrative?
I played with the story structure a lot. There are not many parts of the movie that are not from the book, but structurally it is quite manipulated.
Why did you choose to recruit your actors via a MySpace page?
I think this is how all casting agencies would go about casting high schoolers, especially now when MySpace is so prevalent. So we were like the others, just trying to figure out ways to get the word out to non professional people to play in the film.
Why did you decide to shoot both in Super 8 and 35mm?
Because the medium of skate film is super 8, and also video tape, and since we were using a little of this in our film, we shot some additional skate footage with super 8. It is a lot harder to hold a larger camera while you are riding a skateboard, this is one of the reasons. Also 35 is a medium that is too expensive for skate shooters to be using. Then the rest of our film is made in 35mm, the medium of choice for me.
Choosing Chris Doyle may have appeared surprising, following your last three movies which depended a lot on stable frames. Why did you choose him?
Chris is known for a very fast flying and free cinematography. Not known for what would be called stable frames. But I think maybe that is because of the Wong Kar Wai period of the nineties. When he first started to shoot with Kar Wai, they were quite stable, when they composed the framing, but got really loose as the films became less conservative. I did try and push Chris into non stable territory, and wide angle territory, also because of these later Kar Wai films that I had seen, particularly FALLEN ANGELS. But Chris was a bit wary, saying "Well, we don't want to repeat ourselves." So what we have here is a new piece created by us, that at times is unstable, as concerns the tripod, its handheld, but only sometimes. It has a lot of different styles in it. There is a lot of slow motion, which I also encouraged, and came from some of my knowledge of later Kar Wai films. But Chris also, has made among other things, LADY IN THE WATER which has very stable framing. The skate world, however, is not known for stable framing, because that world is on wheels.
I heard that some sequences, notably in Super 8, were to be longer at first. There is also a lot of work on the sound. What has post-production consisted of?
No, I think that the super 8 sequences were about the same as in the film, maybe a few more skate sequences. The sounds, detailed as they may be, are mostly soundscapes by Sound/Music composers. The stuff that we have done as sound manipulators is pretty simple, but the soundscapes, largely by Ethan Rose, are quite complicated. It is sometimes the equivalent of us playing records along with the movie - but the music is made of less traditional music. The post production was not that intensive and occurred over a couple of weeks. Leslie Shatz is the sound designer.
more...
official site
another gus van sant' interview on paranoid park
making of paranoid park
2007
1. Paranoid Park de Gus Van Sant
2. Boulevard de la mort de Quentin Tarantino
INLAND EMPIRE de David Lynch
Still Life de Jia Zhang-ke
5. La France de Serge Bozon
Zodiac de David Fincher
7. Les Amours d’Astrée et de Céladon d’Éric Rohmer
Honor de la cavalleria d’Albert Serra
Avant que j’oublie de Jacques Nolot
10. I Don’t Want to Sleep Alone de Tsai Ming-Liang
Ne touchez pas la hache de Jacques Rivette
Syndromes and a Century d’Apitchapong Weerasethakul
Após “Gerry”, “Elephant” e “Last Days”, seria difícil acreditar que Gus Van Sant pudesse ao menos manter o mesmo rigor em seu próximo filme. Ao lado de Christopher Doyle (cinegrafista dos principais filmes de Wong Kar-Wai), no entanto, Van Sant não só se manteve implacável na condução da narrativa, mas como trouxe novas possibilidades para a sua própria filmografia. A influência de cineastas como o próprio Kar-Wai, Béla Tärr, Tarkovski e Sokúrov se mostram mais visíveis, tanto na condução da trama, quanto na simbiose entre música e imagem, um dos pontos altos do filme.
Porém, antes de analisar o filme especificamente, é importante dizer que 2007 foi um ano de exceção para o cinema americano – há muito tempo não se viam tantas obras-primas em uma mesma cinematografia. Essa espécie de retomada, que relembra o vigor de Hollywood nos anos 70, inclui desde diretores que se consagraram nos anos 90 (“Zodiac”, de David Fincher; “Death Proof”, de Quentin Tarantino; “We Own the Night”, de James Gray; “There Will Be Blood”, de Paul Thomas Anderson; “I’m Not There”, de Todd Haynes), cineastas estabelecidos desde os anos 80 (“No Country for Old Men”, dos irmãos Coen; “Inland Empire”, de David Lynch; “Eastern Promises”, de David Cronenberg), e nomes consagrados nos anos 70 (“Bug”, de William Friedkin; “American Gangster”, de Ridley Scott; “Before the Devil Knows You’re Dead”, de Sidney Lumet). Ao acrescentarmos “Paranoid Park” teremos doze filmes de uma mesma cinematografia, coesa e representativa como há muito não se via, sem que haja uma lista de princípios, ideais ou motivações que unem ou caracterizam um grupo. (E isso é ótimo!)

Dentro de propostas tão variadas, “Paranoid Park” talvez seja a possibilidade mais radical da atual cinematografia americana. O filme atinge várias proezas, e uma delas, é muito significativa: ao mesmo tempo em que Van Sant conta uma história (apresenta seu personagem, seus conflitos, uma trama), e cria um filme completamente inserido no universo de um esporte considerado “radical” (o skate), “Paranoid Park” não pode ser considerado uma obra de gênero, muito menos um típico filme americano, um thriller. Não temos acesso, por exemplo, ao que se passa na mente de Alex, o garoto que se envolve em um acidente na linha de trem. Não sabemos tudo ou até mesmo parte do que os personagens falam em momentos cruciais – Van Sant acelera ou torna mais lenta algumas cenas, como aquela em que a namorada de Alex discute o fim da relação, por exemplo. Não temos uma trilha sonora que complemente a emoção já esculpida pelo conflito dramático, ou pela trama: o som, nesse caso, é independente, como se Van Sant estivesse conectando o filme a uma realidade superior que necessariamente não se refere ao mesmo tema, ao mesmo universo, mas que mantém um vínculo indireto e cruel que nos assusta.
Essas conexões elaboradas por Van Sant elevam o filme a uma categoria máxima (ao andar de cima, he), tornando “Paranoid Park” uma obra de encantamento sublime e radical. Jamais se viu um filme tão singelo, tão direto, tão frio e ao mesmo tempo tão condescendente sobre um ato tão brutal. Ao mesmo tempo em que observamos o cotidiano corriqueiro de Alex, suas relações familiares, seu universo reduzido, criamos uma compaixão quase absoluta por este personagem. Ele é ao mesmo tempo presente/concreto e virtual/enigmático: diz tudo, e parece permanecer em silêncio. Suas emoções contidas são tão impactantes quanto os momentos de vazio, de gestos banais, quase mecânicos. É como se Van Sant unisse uma certa crença de Bresson ao encantamento de Kar-Wai: para atingir o real (no caso desse filme), todos os artefatos se tornariam indispensáveis: deveria haver a anulação da consciência, do tempo, e o reconhecimento de que se trata de um filme – que seria impossível atingir este real. Para tanto, Van Sant une um grafismo cinzento, sombrio, a trechos da música terna de Nino Rota (utilizada inicialmente em “Giulietta degli Spiriti”, obra irregular e multicolorida de Fellini), e a diversas sonoridades estranhas e irreconhecíveis.

Essa fissura do real conquistada por Van Sant o aproxima de Lynch. Em “Inland Empire”, e em boa parte da sua obra recente, Lynch parece observar o universo pop com devoção demasiada, até o momento em que ele encontra uma fresta, e mergulha nesse campo ínfimo, quase imperceptível, nos mostrando uma série de fatos desconexos e bizarros. A postura de Van Sant, no entanto, é diferente: ele entra por uma fresta para ampliar o seu deleite: as câmeras lentas de “Paranoid Park” renovam e ao mesmo tempo reduzem a compreensão do real. E esse é o grande ponto do filme: não há como compreender completamente um fato isolado, fortuito, ou até mesmo motivado por razões inúmeras que podem ou não ser aliadas ao acaso. Fora de qualquer explicação psicológica, para além de qualquer defesa ou justificação moral de um ato, está a ação concreta, o fenômeno, o objeto fílmico que Van Sant exibe, esculpe sob o signo do fragmento, da simultaneidade, sem exigir compreensão, muito menos compaixão. O filme nos direciona para uma consciência sobre nós mesmos muito estranha: um saber lento, mordaz, e também estimulante. Você se sente vivo na zona limítrofe mais perigosa: Van Sant utiliza esse princípio ao máximo.
As cenas em que mais nos deparamos com uma consciência interna de Alex são as mais memoráveis. São momentos plenos, vazios, contraditórios ao extremo, como o dia em que Alex pede a uma amiga uma carona em sua bicicleta. Ela segue pedalando, e ele, em seu skate, permanece cabisbaixo, agarrado à bicicleta, como se aquela fosse a trajetória da sua vida, daquele momento que vivia – não há mais o que fazer: o que resta é seguir.

Há também nuances formidáveis que Gus Van Sant alinha, ao longo do filme, tornando “Paranoid Park” a experiência estética mais impactante dos últimos anos. Assim como nos desenhos de “Tom & Jerry”, em que nunca víamos o rosto da mulher que arrumava a cozinha, em “Paranoid Park” não temos acesso ao rosto da mãe de Alex, nem ao rosto do seu tio (que, aliás, é interpretado pelo diretor de fotografia Christopher Doyle). O próprio nome Alex é uma alusão possível ao protagonista de “A Clockwork Orange”, de Stanley Kubrick. E a cena em que surge a figura do pai, relativamente próximo a Alex, mas também distante e bizarro, é um tanto representativa: ela revela todo o caos da vida familiar do personagem, uma rotina ainda mais dramática pela figura do irmão mais novo – que não sabemos se é apenas frágil, ou se convalesce de um mal maior.
A frieza com que Alex lida com alguns fatos e a sinceridade impressionante que ele demonstra em várias atitudes criam um sentimento ambíguo em sua volta: sua personagem se torna inclassificável, escapando a qualquer esquema dramático.

Produzido com atores não-profissionais (escolhidos via MySpace), composto por imagens em 35mm e em Super-8 (cenas de skate), repleto de sons distintos e ao mesmo unificados pela montagem de Van Sant, “Paranoid Park” é o grito mais silencioso e simbólico do cinema contemporâneo: nele se encontram a devoção irrestrita e aceitação do cinema como linguagem; o encantamento com a figura humana; a utilização do som como elemento novo, dissonante, simultâneo; a concepção visual independente da trama e subordinada ao contexto; além de uma montagem fragmentada e ao mesmo tempo narrativa. É o que há de mais sofisticado no momento: o ponto máximo de um cinema em transição.