marginal notes while filming

a melhor crítica sobre o booker

rodrigo grota by audrey furlaneto

o carlos eduardo lourenço jorge, crítico da folha de londrina e chefe da divisão de cinema da casa de cultura da uel, fez, ao meu ver, a melhor crítica sobre o filme BOOKER PITTMAN.

agradeço também o comentário que ele fez ao noticiar as premiações de gramado. com certeza a KINOARTE pretende produzir mais filmes em londrina, desejando assim a continuidade dessa parceria.

abaixo, os links com os dois textos do CELJ sobre o booker.
quem não tiver acesso ao site da folha, pode ler o texto completo no leia mais logo abaixo:

'Booker' de Grota repete sucesso em Gramado
Curta-metragem produzido pela Kinoarte de Londrina fecha com classe e estilo a competição da categoria
http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id=8465&dt=20080816

Filme londrinense é premiado em Gramado
''Booker Pittman'' ganha cinco prêmios e Kikito de melhor longa nacional vai para ''Nome Próprio''
http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id=8477&dt=20080818FOLHA DE LONDRINA
SEGUNDA, DIA 18 DE AGOSTO DE 2008
FOLHA 2
Filme londrinense é premiado em Gramado
''Booker Pittman'' ganha cinco prêmios e Kikito de melhor longa nacional vai para ''Nome Próprio''

O longa-metragem ''Nome Próprio'', de Murilo Salles, surpreendeu na reta final da premiação e foi eleito pelo júri oficial o melhor filme brasileiro do 36º Festival de Cinema de Gramado. O favorito do público era ''A Festa da Menina Morta'', afinal o mais premiado da noite: meia dúzia de Kikitos, entre eles os de melhor ator (Daniel de Oliveira), fotografia e Prêmio Especial do Júri. O anúncio dos vencedores da mostra gaúcha foi transmitido ao vivo sábado à noite para todo o país pela TV Cultura e Canal Brasil. Entre os latinos, o melhor longa foi o mexicano ''Cochochi''.

Na categoria curta-metragem o vencedor foi o paulista ''Areia'', mas o filme mais premiado entre os 12 concorrentes foi o londrinense ''Booker Pittman'', de Rodrigo Grota, que ficou com o Prêmio Especial do Júri e mais dois Kikitos: melhor direção de arte (José de Aguiar) e melhor música. O júri paralelo formado por estudantes de escolas de cinema atribuiu ao filme dois troféus Cidade de Gramado, também para melhor direção de arte e melhor música.

A cantora Eliana Pittman, filha do personagem-título do filme de Grota, subiu ao palco com o diretor para receber o Kikito de melhor música. Muito emocionada, ressaltou a importância do filme como resgate do trabalho de artistas como o pai dela. A história de Booker Pittman, saxofonista norte-americano que andou por Londrina e Norte Pioneiro nos anos 1950, pode ganhar do diretor Rodrigo Grota uma cinebiografia amplificada em longa metragem.

Mas a viabilidade deste e de outros projetos da Kinoarte, no entanto, dependerá muito da atenção e suporte de recursos que a produtora vai necessariamente precisar. Vale dizer: nestes tempos de campanha eleitoral nas ruas, qualquer candidato que ocupe a prefeitura de Londrina a partir de 2009 deve ficar de olhos bem abertos para esta bem sucedida cena de cinema que já há tempos, com talento e garra, vem projetando o nome da cidade aqui e lá fora. Dar prosseguimento a este já vitorioso movimento surgido e consolidado nos últimos anos deve estar entre as prioridades culturais nas chamadas plataformas eleitorais.

A cada ano mais profissional, a cerimônia de premiação só passou por pequeno contratempo: um rápido blackout que entretanto não chegou a comprometer o andamento da festa. Momento de maior empatia aconteceu quando no palco o ator e agora diretor Matheus Nachtergaele cantou, com toda a platéia que lotava o Palácio dos Festivais, a musica ''Maracangalha'', um dos maiores sucessos de Dorival Caymmi, morto algumas horas antes.

Longa metragem brasileiro
Melhor Filme: NOME PRÓPRIO, de Murilo Salles
Melhor Diretor: Domingos Oliveira pelo filme JUVENTUDE
Melhor Ator: Daniel de Oliveira pelo filme A FESTA DA MENINA MORTA
Melhor Atriz: Leandra Leal pelo filme NOME PRÓPRIO
Melhor Roteiro: Domingos Oliveira pelo filme JUVENTUDE
Melhor Fotografia: Lula Carvalho, A FESTA DA MENINA MORTA
Prêmio Especial do Júri: A FESTA DA MENINA MORTA, de Matheus Nachtergaele
Prêmio de Qualidade Artística: para os atores Aderbal Freire Filho, Domingos Oliveira e Paulo Jose, por JUVENTUDE
Melhor Diretor de Arte: Pedro Paulo de Souza, por NOME PRÓPRIO
Melhor Música: Matheus Nachtergaele, A FESTA DA MENINA MORTA
Melhor Montagem: Natara Ney, por JUVENTUDE
Prêmio da Crítica: A FESTA DA MENINA MORTA, de Matheus Nachtergaele
Melhor Filme do Júri Popular: A FESTA DA MENINA MORTA, de Matheus Nachtergaele

Longa metragem estrangeiro
Melhor Filme: COCHOCHI de Israel Cardenas e Laura Guzman
Melhor Diretor: Carlos Moreno, PERRO COME PERRO
Melhor Ator: Marlon Moreno e Oscar Borda, PERRO COME PERRO
Melhor Atriz: Ana Carabajal, POR SUS PROPIOS OJOS
Melhor Roteiro: Liliana Paolinelli, POR SUS PROPIOS OJOS
Melhor Fotografia: Juan Carlos Gil, PERRO COME PERRO
Prêmio Especial do Júri: POR SUS PROPIOS OJOS
Prêmio de Qualidade Artística: COCHOCHI
Excelência de Linguagem Técnica: COCHOCHI
Premio da Crítica: Perro Come Perro
Melhor Filme do Júri Popular: POR SUS PROPIOS OJOSi

Curta metragem
Melhor Filme: AREIA, de Caetano Gotardo
Melhor Diretor: Jaime Lerner, SUBSOLO
Melhor Ator: Augusto Madeira, pelos filmes BLACKOUT e NOITE de DOMINGO
Melhor Atriz: Malu Galli, pelo filme AREIA
Melhor Roteiro: César Cabral e Leandro Maciel, DOSSIÊ REBORDOSA
Melhor Fotografia: Heloisa Passos, por AREIA
Premio Especial do Júri: BOOKER PITTMAN, de Rodrigo Grota
Melhor Diretor de Arte: José de Aguiar, BOOKER PITTMAN
Melhor Música: Booker Pittman, filme BOOKER PITTMAN
Melhor Montagem: César Cabral e Leandro Maciel pelo filme DOSSIÊ RÊ BORDOSA
Prêmio da Crítica: BOOKER PITTMAN

Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Gramado, especial para a FOLHA

FOLHA DE LONDRINA
SÁBADO, DIA 16 DE AGOSTO DE 2008
FOLHA 2
'Booker' de Grota repete sucesso em Gramado
Curta-metragem produzido pela Kinoarte de Londrina fecha com classe e estilo a competição da categoria

E o jovem Rodrigo Grota agora já é reincidente. Não foi apenas a proeza de emplacar dois filmes seguidos, 2007 e 08, na mostra competitiva de curtas-metragens do Festival de Gramado. ''Booker Pittman'', filme que fechou com indiscutível brilho o segmento da categoria, mantém e em certo sentido refina as qualidades que incluíram ''Satori Uso'' entre os filmes brasileiros mais instigantes do ano passado. No ritual de palco, anteontem antes da projeção, um parabéns a você cantado em coro pela platéia que lotou a sala de projeção: comemorando aniversário, e aqui em Gramado a convite do festival, a cantora Eliana Pittman, filha do jazzista biografado que andou por Londrina e Norte Pioneiro nos anos 1959. Seu melhor presente viria a seguir, com a projeção do curta-metragem.

Quanto a Kikitos na festa de hoje à noite no Palácio dos Festivais, porém, o destino imediato do filme é uma incógnita. A estrutura narrativa nada convencional de ''Booker'', que funde imagens soberbas (de novo produzidas pelo olhar inundado em preto-e-branco do iluminador Carlos Ebert) a uma trilha sonora organicamente necessária e que de certa forma ''escreve'' o roteiro do filme, vai diretamente na contramão da totalidade dos outros concorrentes. Se ''Satori Uso'' era a cinebiografia fake de poeta japonês que nunca existiu, ''Booker'' é o aplicado e sensível olhar cinéfilo debruçado sobre o músico norte-americano que de fato existiu, mas em certo sentido tão irreal quanto o japonês dos haicais.

Rotular o filme de documentário é empobrecer a obra, é reducionismo que não se aplica a um precioso exercício de estilo - ousando uma definição aproximada, ''Booker Pittman'' viaja sem medo na própria improvisação do jazz mais cool, mesmo que a música de Booker tenha soado muito mais emocional do que cerebral. E as imagens sonoras se transformam magicamente no improviso do melhor cinema autoral, numa viagem quase de abstrações pictóricas e musicais. É cinema de gente grande, sem dúvida.

Em contraposição à proposta do filme de Grota, os outros onze selecionados optaram por narrativas em moldes clássicos, por dramaturgias já experimentadas, pela segurança de temas e formas já trilhados. Nem mesmo a divertida e marota animação ''Dossiê Rebordosa'', adversário com maior poder de fogo, tem o atrevimento e o frescor da proposta do curta londrinense. Vai depender, afinal, de uma visão igualmente refinada por parte do júri. E isto, sabe-se por longa tradição, tem lá seus momentos de sortilégio.

Na mostra competitiva latina, a estréia da quinta à noite foi o mexicano ''Cochochi'', filme minimalista, um delicado retrato da pré-adolescência de dois garotos indígenas. Mais parece um história contada pelo iraniano Abas Kiarostami, mais precisamente ''Onde Fica a Casa do Meu Amigo?'' Aqui não há um caderno para entregar, mas um cavalo perdido para encontrar. O argumento trata de uma travessia, quase cósmica e por vários momentos cômica, de dois meninos pelo vale de Okochochi, na província mexicana de Chihuahua. Devem entregar remédios para uns idosos. No caminho, o cavalo some. Talvez tenha sido roubado, talvez a amarra tenha se soltado.

É um périplo de conhecimento, e para quem vê o filme é uma viagem de descobertas. Aos poucos é revelada uma cultura indígena ancestral que convive com a tecnologia básica do Ocidente: meios de transporte e de comunicação. O cavalo. O rádio como a web do povo. Há música, instrumentos, há um outro idioma. Mas há também uma advertência: talvez o cavalo tenha sido roubado por um branco. ''Os brancos querem tudo para eles.''

Formalmente consistente, ''Cochochi'' evita o turismo audiovisual e a inerte curiosidade etnográfica. É muito mais o registro delicado de dois meninos num rito de passagem. Singular, universal, diferente. Pena que os diretores Israel Cardenas e Laura Guzman ou qualquer dos atores não profissionais não tenham podido vir para contar sobre esta experiência.

Quem chegou muito bem à competição dos brasileiros foi ''Juventude'', escrito e dirigido por Domingos de Oliveira, divertida, agridoce, otimista comédia sobre homens na faixa dos 70. Reunidos na bela casa de veraneio de um deles, o trio de amigos (o próprio Oliveira, Paulo José e Aderbal Freire) falam sobre suas existências, seus amores, suas mulheres, os encontros e desencontros, as lembranças, a velhice e a proximidade da morte. O tom, afinal, é de celebração da vida. Roteiro bem escrito e amarrado, espirituoso e afetuoso, ''Juventude'' foi o único filme ovacionado ao final da projeção. E o clima descontraído da tela transferiu-se ontem para a mesa de debates, com a dupla Domingos-Paulo José esbanjando bom humor e brilho intelectual.

Carlos Eduardo Lourenço Jorge
De Gramado, especial para a Folha2

Publicado em 19 de agosto de 2008 às 12:46 por grota

Comentários

    • Opa! Parabéns!
      E para quem não teve oportunidade de vê-lo em festivais?
      Onde posso ver?
    • por maven
    • 19.Ago.2008 às 13:04 - Permalink - Reportar
    maven
    • no CANAL BRASIL a partir de 2009, ou no KINOARTE CHANNEL (http://www.youtube.com/kino...) a partir de outubro de 2008.
    • por grota
    • 19.Ago.2008 às 13:15 - Permalink - Reportar
    grota
    • Parabens, Grota! Estou curiosíssimo em ver o filme.
      Creio que sou o unico musico de Jazz no Brasil atualmente que toca saxofone soprano NO ESTILO DE BOOKER PITTMAN; que como você deve saber, não é be-bop mas é jazz tradicional/swing. Foi ele mesmo que me incentivou quando o visitei no seu apto. pela ultima vez no Rio ao pedir-me para estrear o soprano novo dele, pois não podia mais tocar. Tomamos pinga escondidos da Ofélia, e ele me contou trechos da sua auto biografia. Me deu valiosas dicas de sax e de clarinete. Ele gostava do meu som, dizia "É isso aí baixinho, é só soprar!".
      Eu fui o único jazzista presente na despedida em Congonhas quando o caixão
      foi embarcado para o Rio. Ainda tenho o recorte da Folha de São Paulo com a foto e apontando esse fato. Mas isso são aguas passadas. O Buca era grande mesmo, grande coração, merece plenamente sua homenagem. grande abraço
      Tito Martino

      se quiser escreva para titomartino@gmail.com
    • por Tito Martino
    • 19.Ago.2008 às 21:32 - Permalink - Reportar
    Tito Martino
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